Risco de suicídio é maior em doentes com cancro

Apesar da taxa de sobrevivência ao cancro ter aumentado nas décadas mais recentes, determinadas formas de diagnóstico e de tratamento podem causar transtorno no paciente, ao ponto de aumentar o risco de suicídio, de acordo com um estudo americano.

Segundo o artigo Cancer, publicado pela American Cancer Society, a probabilidade de cometer suicídio, nos pacientes com cancro, é 2,5 vezes superior comparando com a generalidade da população.  No estudo, foram examinadas mais de 4,6 milhões de pacientes, incluindo 1.585 pessoas que se terão suicidado um ano após conhecerem o diagnóstico.

Um dos autores do estudo, Hesham M. Hamoda, refere que são vários os fatores que levam um paciente com cancro a cometer suicídio. “Isto incluí depressão e ansiedade, dor, efeitos dos tratamentos (como fadiga), impacto psicológico e social (os pacientes podem experienciar medo, alienação, sensação de desfiguração), e sentimentos de culpa, associada, por vezes, ao estilo de vida que tiveram e que poderá ter aumentado o risco de cancro (como fumar, por exemplo).”

Segundo o estudo, o risco é superior no segundo mês a seguir ao diagnóstico, altura na qual os pacientes com cancro têm uma probabilidade cinco vezes superior de cometer suicídio, comparando com a população em geral.

O risco de suicídio permanece elevado no espaço de seis meses após o diagnóstico, quando a probabilidade de cometer suicídio é três vezes superior.

De seis a doze meses após o diagnóstico, esta probabilidade é quase duas vezes superior, refere o estudo. 

O tipo de tumor igualmente impacta o risco de suicídio, sendo que os pacientes com cancro do pâncreas e cancro do pulmão estão sob um maior risco de suicídio: oito e seis vezes superior, respetivamente.

Segundo a psiquiatra Lúcia Monteiro, da Unidade de Psiquiatria do IPO, “A depressão é a principal causa de suicídio na população geral. No doente com cancro reduz os seus recursos adaptativos e acentua o sofrimento psicológico.” A médica sublinha o quão importante é informar o doente sobre o tipo de cancro e o seu prognostico, bem como acerca do plano de tratamentos e sequelas associadas. “Ajudar a pessoa a ter expectativas realistas e adaptar-se a uma nova realidade de doença crónica (e não imediatamente mortal e dolorosa)”, acrescenta.

Como forma de prestar um maior acompanhamento psicológico aos pacientes com cancro, a Pulmonale dispõe, no Porto, de consultas psicológicas de apoio ao doente e ao cuidador. Poderá realizar a sua marcação através do e-mail apoio@pulmonale.pt.