Porque o Cancro do Pulmão Também Afeta Quem Não Fuma

O cancro do pulmão é o mais comum no mundo e o mais mortal em Portugal.

Estatísticas recentes mostram que, no ano de 2012, foram diagnosticadas mais de um milhão de pessoas com cancro de pulmão em todo mundo. Apenas em Portugal, de 2015 para 2016, surgiram 4 mil novos casos.

O tabagismo é a principal causa desta enfermidade, mas existem outros fatores que contribuem para o aumento de casos de cancro do pulmão.

Um estudo americano demonstrou que, no período de 2011 a 2013, 17% das pessoas diagnosticadas com cancro do pulmão nunca tinham fumado: um aumento significativo comparando com 8,9% das pessoas diagnosticadas entre 1990 e 1995.

Um aspeto que contribui para este resultado é o fumo passivo. De facto, fumar de forma passiva aumenta a probabilidade de um não fumador contrair cancro do pulmão em 20% a 30%.

Segundo um estudo americano, publicado em 2017, uma em cada cinco mulheres com cancro do pulmão nunca fumou. Nos homens a parcela é de um em cada 10. Esta discrepância decorre maioritariamente da exposição das mulheres ao fumo passivo, proveniente dos seus parceiros.

Aquecer a casa, ou cozinhar, com combustíveis sólidos (madeira ou carvão), estar em contato com amianto ou radónio e realizar radiações no peito, são outros dos fatores que contribuem para o aumento do número de casos verificados. O radónio é até apontado como a principal causa do cancro de pulmão, logo a seguir do tabagismo.

Adicionalmente, segundo o Cancer Research UK, a poluição atmosférica – provocada pela exaustão de veículos, centrais elétricas e fogões a lenha – também aumenta o risco de cancro de pulmão, ainda que mínimo em cada indivíduo.

É importante reter que todas as pessoas, quer sejam fumadoras ou não, devem estar atentas aos sintomas da doença e realizar rastreios de prevenção. 70% dos pacientes com cancro do pulmão, cujo diagnóstico foi realizado atempadamente, mantêm-se vivos um ano depois. Contrastando com apenas 14%, entre os pacientes diagnosticados em fase tardia.