Novos Tratamentos para o Cancro e Uma Nova Esperança para o Cancro do Pulmão

Todos os anos são descobertas novas estratégias para combater o cancro.

Apesar da cura universal e da vacina preventiva ainda terem um longo caminho a percorrer, oncologistas acreditam que a solução passa pela redução de tempo dedicado a processos de tratamento. Ao invés, acreditam que o segredo pode estar na personalização do tratamento de acordo com cada paciente.

Em entrevista ao Observador, três oncologistas portugueses – que participaram no ASCO Annual Meeting de 2018– explicam que impacto podem ter estes tratamentos personalizados na prática clínica, atendendo ao facto de que existem vários tipos de cancro, que, por sua vez, variam de pessoa para pessoa.

“São doenças diferentes, em pessoas diferentes, com imunidades diferentes”, mencionou Paulo Cortes, presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO).

A análise genética às células tumorais, e a interação com o microbioma, evidencia um avanço promissor, em particular na identificação de alterações genéticas que podem ser alvos terapêuticos para medicamentos.

Para além do impacto positivo nas diversas patologias cancerígenas, sobretudo nos cancros da mama, pâncreas e rins, o cancro do pulmão beneficia, igualmente, com as novas descobertas. Em concreto, os desenvolvimentos mais recentes ao nível dos testes genéticos permitem saber se determinado doente pode, ou não, beneficiar do tratamento via imunoterapia.

A imunoterapia, apesar de ainda não ser universal, “tem feito uma enorme diferença para alguns tipos de tumores (nomeadamente nos tumores que têm mais mutações genéticas, como o melanoma ou alguns subtipos de cancro do pulmão como o de células não pequenas) e tem tido boas respostas em tumores de fases avançadas”, revelou o Presidente do SPO.

Atualmente, a imunoterapia é utilizada num contexto paliativo. Contudo, já está comprovado que, utilizada em estados precoces, pode representar a cura para o cancro do pulmão.

Com base nisto, o Infarmed aprovou, no início deste ano, a comparticipação do medicamento utilizado na imunoterapia (o anticorpo pembrolizumab) como primeira linha de tratamento contra o cancro do pulmão de células não-pequenas.

Aguardam-se agora mais conclusões decorrentes destes estudos, nomeadamente se doentes com cancro do pulmão de células escamosas e de pequenas células poderão igualmente beneficiar de tratamentos de imunoterapia.

 

Fonte Imagem: IPO de Lisboa