Novo Rastreio do Cancro do Pulmão Permite Tratamento Precoce

Os resultados de uma nova ferramenta de rastreio, decorrente de um ensaio clínico europeu NELSON, foram apresentados no passado mês de outubro e prometem uma nova esperança na identificação precoce do cancro do pulmão.

De acordo com o médico especialista Venceslau Hespanhol, presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, esta ferramenta representa uma esperança na redução do índice de mortalidade do cancro do pulmão. Segundo o médico, até ao momento, na Europa, não era possível um rastreio eficiente, associado ao facto de os sintomas da doença surgirem num estádio avançado. O ensaio clínico NELSON permite, agora, identificar a patologia sem exames invasivos e de uma forma simples e reprodutível, com base num algoritmo e através de uma avaliação volumétrica da TAC.

Esta nova ferramenta de rastreio surge após quinze anos de estudo, essencialmente na Holanda e na Bélgica, e, segundo o professor, “não será para toda a gente, mas será para um número crescente de doentes, enquanto não podemos curá-los todos”.

Em Portugal, surgem 4.000 novos casos de cancro do pulmão por ano. A maioria dos pacientes são diagnosticados numa fase avançada, numa altura em que já existem sintomas, como tosse e dificuldade respiratória, e o tumor já se disseminou. De notar que a metastização do cancro do pulmão se processa de forma precoce e preferencialmente para os ossos e cérebro.

O médico especialista Venceslau Hespanhol reforça, ainda, que o cancro do pulmão está associado ao tabagismo: “É um risco que se encontra em praticamente 80% dos doentes que são diagnosticados”, acrescentando que “mesmo uma exposição muito pequena – um cigarro por dia – não está isenta de aumentar o risco”.

Não obstante, o professor salienta a importância de deixar de fumar na redução do risco de cancro de pulmão, fundamentando a premissa com base num estudo inglês que envolveu mais de um milhão e meio de mulheres, e replicável para os homens: “Verificou-se que as que fumam uma vida inteira perdem 10 anos e meio de vida, mas, se deixarem de fumar pelos 30 anos, praticamente não perdem tempo e, mesmo que deixem de fumar mais tarde, ganham sempre anos”.

De referir que também no campo do tratamento do cancro do pulmão se têm verificado significativos avanços, nomeadamente com o surgimento da imunoterapia.