Imunoterapia. Como funciona este inovador tratamento do cancro?

Considerada uma nova esperança para o cancro, o tratamento via imunoterapia recorre ao reforço de mecanismos existentes no corpo humano para combater as células cancerígenas.

Segundo um estudo publicado pela ASCO (American Society of Clinical Oncology), os portadores da forma mais comum de cancro do pulmão (células não-pequenas), que recorreram à imunoterapia, apresentaram uma esperança média de vida quatro a oito meses superior à dos pacientes que receberam tratamento via quimioterapia.

“Um grande número de pacientes com cancro de pulmão tem agora uma nova opção de tratamento, que evidencia ser mais eficaz e ter menos efeitos secundários comparando com a quimioterapia”, referiu Gilberto Lopes, médico oncologista e principal autor do estudo.

Num outro estudo publicado em maio, Roy Herbst, responsável pelo serviço de oncologia do Yale Cancer Center, afirma que “A quimioterapia tem limitações, enquanto que a imunoterapia tem a capacidade de curar”. De facto, apesar da imunoterapia ainda ser, essencialmente, utilizada num contexto paliativo, já está comprovado que a sua utilização, em estados precoces da doença, pode mesmo levar à cura.

Apesar dos resultados positivos, a imunoterapia não pode ser aplicada a todos os pacientes. Segundo a oncologista Marta Soares, coordenadora da Clínica do Pulmão do IPO-Porto, “é necessário haver um bom estado geral” para que o tratamento seja bem-sucedido.

Conheça, resumidamente, as várias formas de funcionamento da imunoterapia:

Transferência adotiva de células: Processo no qual as células imunitárias são manipuladas para reconhecer e atacar as células cancerígenas. Entre duas a oito semanas, as novas células são reintroduzidas no organismo do paciente, por via venosa, onde detetam o tumor e destroem as células cancerígenas.

Citocinas: Proteína existente no corpo que fortalece o sistema imunitário. O objetivo deste processo é a produção desta proteína para regular a resposta inflamatória e imunitária. Este tratamento é feito através da injeção subcutânea.

Vacinas: Pode prevenir o cancro de progredir ou de reincidir. Esta vacina terapêutica, ainda em fase de desenvolvimento, estimula o sistema imunitário a combater o tumor, através da introdução de proteína específicas.

Anticorpos monoclonais: Tratamento realizado através de injeções subcutâneas de anticorpos, que ajudam o sistema imunológico a reconhecer os antígenos e a destruí-los.

Inibidores de checkpoint: Tratamento que impede as células T (grupo de glóbulos brancos) de atacarem as células cancerígenas.

A imunoterapia pode ser uma opção de tratamento para algumas formas de cancro do pulmão, mas também para alguns casos de melanoma, cancro dos rins ou cancro da cabeça e pescoço. Mediante aconselhamento médico, pode ser combinada com outros tipos de tratamento.