Falta mais organização do que dinheiro no combate ao cancro

O orçamento destinado ao combate ao cancro em Portugal é “relativamente baixo”, mas “o principal problema do país nesta área é a falta de organização”, sustenta o presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), Carlos Oliveira. “Temos de nos organizar, embora o orçamento para o cancro seja relativamente baixo”, apela Carlos Oliveira, recordando que aquela doença absorve “apenas 3,9% da totalidade das verbas destinadas em Portugal para a saúde”, enquanto “na Inglaterra, por exemplo, é 10%”.
Na Holanda, a percentagem do orçamento da saúde destinada ao cancro é idêntica à do nosso país (“4,1 ou 4,2%”), reconhece o presidente da LPCC, mas, salienta, “os resultados são muito superiores”, pois “é excepcional a organização” dos serviços de saúde, designadamente, em relação à prevenção e tratamento do cancro.
“É preciso organizar a área do cancro”, apela Carlos Oliveira, advertindo que “o poder político tem de dar prioridade” à doença, até porque ela vai provocar taxas de mortalidade que väo ultrapassar os índices das doenças cardiovasculares.
Tal prioridade deve traduzir-se essencialmente na “organização e centralização das verbas de oncologia, que têm de ser melhor rentabilizadas, através de contratos-programa com a rede de hospitais”, defende o presidente da LPCC, questionado pela agência Lusa, esta manhã, em Coimbra, à margem do colóquio “Doença oncológica: novas perspectivas e novos desafios”.
“É preferível um doente oncológico ter de se deslocar 150 quilómetros ou mais” para aceder a “uma estrutura de saúde multidisciplinar” do que ser diagnosticado e tratado numa unidade “ao pé da porta”, mas sem as valências necessárias para prevenir e combater a doença oncológica, defende Carlos Oliveira. Mas “esta questão não é política”, sublinha aquele responsável, frisando que “o problema de referenciação hospitalar é técnico” e dele também depende, naturalmente, a organização e centralização de verbas destinadas à oncologia.
Uma unidade de saúde näo vocacionada para a oncologia não deve tratar doentes desta área, “deve encaminhá-los para os estabelecimentos com essa valência”, que devem, assim, concentrar as verbas disponibilizadas para a doença, explicita Carlos Oliveira.
O colóquio “Doença oncológica: novas perspectivas e novos desafios” decorreu hoje, em Coimbra, nas instalações da Casa Municipal da Cultura, no âmbito das comemorações dos 70 anos da LPCC.