Como se explica o cancro do pulmão em não fumadores?

O risco de cancro nos fumadores é cerca de 20 vezes superior ao dos não fumadores, o que permite concluir acerca da possibilidade desta doença ser evitável.

Não obstante a clara correlação que existe entre a exposição ao fumo do tabaco e 85 a 90% dos doentes com cancro do pulmão, a causa da patologia pode estar associada a diversos outros de fatores de risco. Entre eles, se destacam os carcinogéneos ocupacionais, isto é, quando o ambiente de trabalho de um individuo se caracteriza por ter substâncias que causam cancro (como silicone, asbesto ou arsênico), mas também a exposição a radiações ou à poluição do ar.

De acordo com o livro “100 Perguntas Chave no Cancro do Pulmão”, publicado pela Sociedade Portuguesa de Oncologia, com a coordenação técnica do chefe de Serviço de Pneumologia do Centro Hospitalar Lisboa Norte, Dr. Renato Sotto-Mayor, estudos realizados nos Estados Unidos apontam para os carcinogéneos ocupacionais como responsáveis por 9 a 15% dos casos de cancro do pulmão. Por sua vez, referem o radão (gás radioativo de origem natural que pode acumular-se no ar do interior das habitações) como origem de 10% dos casos e a poluição atmosférica externa por 1 a 2%.

Nos dados acima referidos e associados à exposição ao fumo, uma fração designa o tabagismo passivo, sendo este uma das causas mais frequentes de cancro do pulmão, responsável por mais de 21 mil mortes, por ano, no mundo inteiro.

Os não fumadores que habitam com fumadores têm um aumento de risco de 20 a 30% de contrair cancro do pulmão, que é proporcional ao nível, duração e idade do início da exposição.

Assim, os dois fatores de maior risco, dentro de casa, para não fumadores que habitem num país desenvolvido, são o tabagismo passivo e o radão. Sendo que, no caso dos países em desenvolvimento, são os combustíveis sólidos não processados, fósseis e de biomassa.

De referir, também, o impacto significativo da herança genética no surgimento do cancro do pulmão. A existência de um familiar de primeiro grau aumenta duas a seis vezes o risco da doença, independentemente da idade, género, tabagismo e exposição ocupacional.